“A cada dia que vivo; mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.”

(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Falso segredo de amor‏ / Delírios...






Falso segredo de amor

   Daqui do lado de fora de mim posso dizer o que eu quiser, mas quando meus olhos se voltam para dentro vejo, quero fingir que não vejo, eu finjo que não vejo, eu me ignoro.   Voce quer saber e eu...   Eu sei que não quer, voce vê e também finge que não vê, voce não quer ouvir.   Talvez voce tenha medo de sucumbir, talvez voce não suporte o peso de minha voz pronunciando a sentença e a gente segue a vida, o tempo vai passando, deixando as suas marcas.   Eu com o meu falso segredo de amor, voce com a falsa ignorância sobre o meu falso segredo de amor.   Às vezes sinto que o teu é o mesmo conflito que o meu e vamos seguindo a santo sacra vida encapada pela dignidade que se impõe as nossas visões negadas, ignoradas, satisfeitas esporadicamente pela carne, que esta sim, não tem pudor, respeito ou segredo, está entregue, revelada em cada poro que transborda nas nossas superfícies epidérmicas.   Voce olha meus olhos, teus olhos me traduzem na tua voz, não na íntegra, você não poderia admitir o que leu, basta o amor, o amor imenso que transborda direto do meu coração pelos olhos, livros traduzidos.  
   Meus ouvidos estão sempre com o som de sua voz, tuas falas permeiam as horas do meu dia, bordam cada pensamento que tenho e por mais que eu tente ignorar, ela está lá me acompanhando, avaliando cada ato, para aprovar ou reprovar, mesmo na tua ausência.  
   Fecho os olhos para dormir e então vem a tua mão livre a passear possessiva em cada pedaço, cada camada da minha superfície, exposta ou não e ela traz o cheiro que se encapsula dentro de cada célula, para me tirar a tranquilidade do sono.   “Ainda que ETs taradas o abduzissem”, jamais sairiam as marcas tatuadas em cada fragmento do meu DNA.   Cada partícula de mim tem uma marca tua e eu não posso professar a intensidade plena do que sinto, sob pena de você não suportar o que você mesmo já viu e fingiu que não viu.
   E mesmo assim é tudo graça, tudo lá fora me faz amar e dançar com você, você diz que me ama e tudo é rosa, graça e luxúria purificada.   Minha carne arde, dói e eu me regozijo nesta contradição de prazer.
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   Delírios...

   E no deserto noturno e frio que a tua ausência me causa, começo a ter todo tipo de miragem, sinto teu cheiro vindo por trás, pressinto teus olhos a me vigiar, me espalho na cama vazia e de repente os lençóis se enroscam em meu corpo.   Nesta hora tenho absoluta certeza que é voce.  Em volta de mim, entre minhas pernas, por toda parte, quero abrir os olhos...  Não posso, tenho a tua língua em minha boca, tuas mãos no vértice das coxas...   Eu já não sei o que é realidade, se sonho, deliro ou se voce chegou sorrateiramente, silenciosamente...   A única certeza que tenho agora é que mergulho num abismo de emoções, de gritos e gemidos, de um prazer inenarrável, um regozijo, um gozo que te dou, que sai de mim para ser só teu.





D. Trugillo.


Himalaya

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