“A cada dia que vivo; mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.”

(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 20 de outubro de 2013

Se meu coração fosse um cavalo.



  Se meu coração fosse um cavalo onde ele estaria agora?   Sei que ele está por aí...   Está em algum lugar, cercas ao chão sob a tempestade...   Sei que ele está atônito.   Cercas arrebentadas e ele saiu por aí...   Talvez querendo correr selvagem, quase feliz...   Adiante a praia, o vento, a areia que se ergue como se viva estivesse...


   Se fosse um cavalo neste momento não estaria sentindo a sela, nem os arreios, só a chuva densa lavando tudo...   Neste momento tudo, todas as vontades, correr na bruma das ondas, subir bem alto nas montanhas...   Tão difícil, tão difícil pensar em estar livre...  


  Se meu coração fosse um cavalo, seria um cavalo selvagem que ficou muito tempo no estábulo e agora se viu do lado de fora...   Ele não entende que muito tempo passou, não conhece os caminhos que vão levá-lo onde acha que existe...  É um velho cavalo que ainda pensa ser um potro...


   Se meu coração fosse um cavalo estaria assustado, curioso e desejoso...   Sentiria falta do cheiro costumeiro, mas...   Onde?   Se fosse um cavalo teria que correr agora, como se em fuga estivesse, sem saber para onde, sem saber para quem, sem saber se pode, se suporta...   Só saberia que necessita correr o mais veloz que puder.   Correr na chuva, correr na escuridão, correr, correr...  Até não poder mais, até estar vencido pelo cansaço...


   Se o meu coração fosse um cavalo estaria esperando carinhos na crina, estaria esperando sem esperança, mas eis que sente o vento em sua crina, um sopro forte, ansioso e que passeia por todo seu dorso, percorre sua pele, atinge a sua carne, o seu sangue, é pura energia... 


   Se meu coração fosse um cavalo estaria flertando com a tempestade, sem saber se há perigos, sem saber se haverá amanhecer...   Disparado em si mesmo apenas sentir o encontro com o inesperado...   Sem saber o que existe depois das pradarias, depois das montanhas, depois do mar...   Seus olhos perdidos, embotados de escuridão e chuva...



   Se meu coração fosse um cavalo agora, se deixaria cair no mar, no ar, em qualquer lugar, só correria para fugir, ou se dar...   Sairia de mim, do meu peito e cavalgaria por um caminho que talvez se chame sorrir, amar, sonhar...


D. Trugillo.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Em Tuas mãos!




   Um dia eu me dei em Tuas mãos, o Senhor me recebeu e eu O senti, senti que movia em mim o Teu Espírito, mas como falha que sou, esqueci, cuidas de mim e eu...   Não percebo, me perco em minhas dores e anseios.   Achando que minha vida se perdeu de Ti eu me afastei; acreditando que Te esquecestes de mim eu o renunciei, não podia entender a falta, a saudade.  
   Hoje percebi muitas coisas, não sei explicar como foi o processo para eu chegar ao entendimento, apenas sei, Estás sempre comigo, mesmo que eu não perceba, que eu não sinta.   Quando coloquei-me em Tuas mãos me acolhestes definitivamente, não me pertenço e O Senhor move meus atos e vontades, mesmo aquelas que julgo só minhas.   Sendo assim não quero mais me perder em culpas de amar, eu já estava em Tuas mãos quando conheci, quando amei, vou apenas receber feliz o que está por vir e me deixar aos Teus cuidados com maior serenidade.  Dou a Ti o amor com que me Amas.   Puro amor de Deus!




Por D. Trugillo

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Falso segredo de amor‏ / Delírios...






Falso segredo de amor

   Daqui do lado de fora de mim posso dizer o que eu quiser, mas quando meus olhos se voltam para dentro vejo, quero fingir que não vejo, eu finjo que não vejo, eu me ignoro.   Voce quer saber e eu...   Eu sei que não quer, voce vê e também finge que não vê, voce não quer ouvir.   Talvez voce tenha medo de sucumbir, talvez voce não suporte o peso de minha voz pronunciando a sentença e a gente segue a vida, o tempo vai passando, deixando as suas marcas.   Eu com o meu falso segredo de amor, voce com a falsa ignorância sobre o meu falso segredo de amor.   Às vezes sinto que o teu é o mesmo conflito que o meu e vamos seguindo a santo sacra vida encapada pela dignidade que se impõe as nossas visões negadas, ignoradas, satisfeitas esporadicamente pela carne, que esta sim, não tem pudor, respeito ou segredo, está entregue, revelada em cada poro que transborda nas nossas superfícies epidérmicas.   Voce olha meus olhos, teus olhos me traduzem na tua voz, não na íntegra, você não poderia admitir o que leu, basta o amor, o amor imenso que transborda direto do meu coração pelos olhos, livros traduzidos.  
   Meus ouvidos estão sempre com o som de sua voz, tuas falas permeiam as horas do meu dia, bordam cada pensamento que tenho e por mais que eu tente ignorar, ela está lá me acompanhando, avaliando cada ato, para aprovar ou reprovar, mesmo na tua ausência.  
   Fecho os olhos para dormir e então vem a tua mão livre a passear possessiva em cada pedaço, cada camada da minha superfície, exposta ou não e ela traz o cheiro que se encapsula dentro de cada célula, para me tirar a tranquilidade do sono.   “Ainda que ETs taradas o abduzissem”, jamais sairiam as marcas tatuadas em cada fragmento do meu DNA.   Cada partícula de mim tem uma marca tua e eu não posso professar a intensidade plena do que sinto, sob pena de você não suportar o que você mesmo já viu e fingiu que não viu.
   E mesmo assim é tudo graça, tudo lá fora me faz amar e dançar com você, você diz que me ama e tudo é rosa, graça e luxúria purificada.   Minha carne arde, dói e eu me regozijo nesta contradição de prazer.
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   Delírios...

   E no deserto noturno e frio que a tua ausência me causa, começo a ter todo tipo de miragem, sinto teu cheiro vindo por trás, pressinto teus olhos a me vigiar, me espalho na cama vazia e de repente os lençóis se enroscam em meu corpo.   Nesta hora tenho absoluta certeza que é voce.  Em volta de mim, entre minhas pernas, por toda parte, quero abrir os olhos...  Não posso, tenho a tua língua em minha boca, tuas mãos no vértice das coxas...   Eu já não sei o que é realidade, se sonho, deliro ou se voce chegou sorrateiramente, silenciosamente...   A única certeza que tenho agora é que mergulho num abismo de emoções, de gritos e gemidos, de um prazer inenarrável, um regozijo, um gozo que te dou, que sai de mim para ser só teu.





D. Trugillo.


Himalaya

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