“A cada dia que vivo; mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.”

(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 28 de agosto de 2011

Saudade...



   O dia amanhecia com suas nuances de nuvens róseas, brancas e acinzentadas, o mar espalhava seu cheiro afrodisíaco pela cidade e eu em um vestido rosa me revestia da minha meninice, a vida desabrochava em flor, orvalhada e feliz na inocência do que estaria ou não por vir e veio tudo, o encantamento, a paixão, a dor, a felicidade, o amor e a saudade.   Contudo, nada se fez de mim tão companheira quanto a saudade, dela conheço todas as formas, na saudade que se desespera e da saudade plácida e resignada, da saudade feliz na certeza de ser saciada em breve e da saudade angustiada que estrangula a lágrima da incerteza.   Saudade e solidão não são a mesma coisa, embora sejam irmãs, mas saudade é diferente, é um sentimento acompanhado da presença intocável de alguém, da parte de alguém que trazemos conosco e onde quer que se vá, a pessoa vai com a gente, dentro da gente, não adianta lutar contra, ela reaparece em detalhes muito próprios, a solidão é um sentimento solitário, de abandono de sí mesmo, que ainda que estejamos em uma multidão, nos sentimos sós.   Saudade é uma forma de apresentação do amor, que mesmo que se nos vire as costas e se vá, ainda assim deixa uma parte de sí para que carreguemos e leva consigo um pedaço de nós.   Às vezes a saudade vem junto com uma dolorida sensação de solidão e de mágoa, mas a saudade é maior e perdoa todas as dores porque só se sente saudade de quem se ama.   Quando a partida vem pelas mãos frias da morte, a saudade é a única forma de reencontro com quem se ama.   

   Não sei, não me pergunte por que falo disso agora, quase duas horas da madrugada...   Acho que é só saudade mesmo, é quando te encontro te revivo e quase posso te sentir, mas acho que nos perdemos de nós na vida...   Não sei, só sei que te encontro em mim agora como sempre nos momentos presenteados por este sentimento chamado saudade, ou amor que se encontra pela lembrança guardada com carinho.
   Para sempre vou te amar.

D. Trugillo.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ebulição hormonal e emocional....



   O corpo se transforma, os hormônios totalmente fora de ordem na mulher que está no alto de sua maturidade, ela se assusta, se perde em suas emoções, tem medo do que acontece, de como acontece, seu amor não a entende...   Afinal, nem ela mesma consegue se entender.   Seu ciclo atrasa, adianta, vem em volumes incomuns e ela sente medo de perder a libido, nem percebe que a libido está nela, que está ativa, mais que nunca.
   Seu homem não consegue entender tanto destempero, tanta ansiedade, tantas dúvidas infundadas.   Natural, homens não têm como entender o que a natureza não lhes permitiu sentir.   Ele a deixa só...
   Sozinha ela pensa que vai sucumbir, mas é mais forte do que se sabia e o encontro com Ele a fortalecerá, Seu colo a confortou, lhe deu refrigério e o Pai continua nela, mesmo que todos tenham partido, Ele fica com ela, mesmo que não possam compreendê-la e nem ela, Ele a compreende, cobre e cuida.
   Um dia ela rebrotará com novo vigor, e seus hormônios voltarão a se inflamar com o mesmo compasso de sempre...

D. Trugillo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O encontro!



   Depois de tanto tempo, de passar os anos, o reencontro de hoje foi como um presente que tive.   Encontramo-nos e me ouvistes, me destes conforto, me mostrastes a paz e eu pude sorrir...   Não sei o que me espera, mas estarei aguardando o porvir, sem pressa, sem afobamento...


   Havia um espaço, uma espera, um querer nascido da necessidade de acolhida e carinho, de afeto desprendido e sincero; havia, havia...

   Então houve ‘o encontro’, o acalanto, a presença de amor, de verdade, da saudade e me deixei abraçar, afagar e guiar.

   Sede: saciada; dor: refrigerada; falta: suprida; queixas: ouvidas; coração: tocado com amor imenso.

  Enfim Te encontrei.


D. Trugillo.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Caminhar sozinha... Jardim em flores...



  Caminhar sozinha...   Tenho sentido muito isto ultimamente, que estou só.   Ao alcance do dispor; e sozinha quando preciso.    Não quero isto!   Cansada disso!   Sei perfeitamente o quanto me dei, quanto quis e contribuí para que houvesse harmonia; e que tudo quanto faltou não é débito meu.   Dei toda atenção, toda paixão e amor, todo corpo e todo querer, toda verdade que alguém é capaz de dar; não devo nada.  E para ser bem verdadeira mais uma vez, estou farta de me doar.   Quero trocar, seja como for, com quem souber, quem puder.   Devagarzinho fui sendo excluída de tudo, então...  
    Encante-me, Conquiste-me, Subjugue-me se ainda puder...   Se ainda quiser...  
    A vida passa num breve instante em que nem cabe um sonho inteiro e eu ainda quero sonhar...   Viver a meninice que ainda mora no meu coração, lamber o dulçor das manhãs sorridentes.   Quero conseguir prestar atenção ao som das aves canoras, abraçar enquanto me sentir amada e desejada...   Estou farta das farpas, só quero os carinhos e já não sei se ainda me importa de onde virá...
   Acho que afinal descobri que apenas pareço ser uma pétala, mas sou pétalas em flor, viva, fecunda, orvalhada e luzente em gotículas que posso beber e servir.
  Cansada de tanta secura, quero provar as gotículas...   Quero as trocas de palavras românticas, de mensagens apaixonadas...   Que me importa se é démodé?    Não, nada me importa, se me fizer sorrir e fizer sorrir, se me fizer amar e fizer amar, se me der prazer e se  der prazer...   Que importa?
   Vá com a aspereza, a falta de tempo, de afeto, de atenção, de amor de dedicação, porque nada disso cabe mais.

   Na verdade, parece ter um jardim inteiro para quem só queria uma pétala...   Terá sido demais?


D. Trugillo.


Himalaya

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