“A cada dia que vivo; mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.”

(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 12 de junho de 2011

Outro tempo começou...

   Quero sair pela manhã sentindo o vento me abraçar, sentir a chuva regar o deserto do meu coração, atravessar minha alma magra de propósitos.    Quero as tempestades temerosas, os rios que me levarão para longe...   O feitiço acabou, a escuridão se dissipa.   Não é assim tão complicado de entender.   Se eu disser que já não sinto nada, nem mesmo eu vou acreditar, mas no vão que ficou irrompe a luz e quanto mais eu vejo a meu redor, mais distante ficamos.
   Não me sinto mais fazendo parte de ti e nem notas, claro, todas as marcas ficarão aqui, mas as amarras se soltam, começam a cair e vou perdendo o cheiro de mar, soltando as crácas, quebrando o encanto.  
   Se causo alguma dor, não é o meu querer, mas receba o que seja seu e que eu seja eu.   Bebo a vida como ela se apresenta, foi o que aprendi,   Não quero entender, não quero nada, nada me interessa, te entrego a espera infinita, já não a recebo mais, pode ser que agora repares eu deixando de esperar, já esperei demais,   Saio com a alma completamente nua, outro tempo começou.   Tenho muito para arrumar dentro de mim, mas não tenho pressa, outro tempo começou...  
    Tenho medo sim, mas também tenho coragem, te disse, mas não me ouvistes, falei do meu cansaço, dei tanto aceitar que não sentistes o espaço esvaziando, falei, falei...   Fingistes ouvir, pensastes que eu nunca voltaria para mim...   Agora solta minha mão, me deixa aqui, soltaram-se as amarras...  Abristes portas sem sentir e agora outro tempo começou...

D. Trugillo.

Himalaya

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