“A cada dia que vivo; mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.”

(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 19 de março de 2011

Nem todos sabem sonhar...

   A segunda manhã tem uma serenidade que não consigo compreender, lá fora tenho a luz, mas os raios não se fazem presente, o sol parece em dúvida se quer ou não se erguer em sua plenitude, a vida está mansa como uma felina que dorme.   As vozes de Elis, Adoniran e outros ecoam em meus ouvidos e meu coração bate confuso, mas plácido, torpe até.   A casa está vazia de outras pessoas, mas não me sinto só, dentro de mim tenho muitas mulheres, sou eu, me fazem complexa sem deixar de ser simples.
   A capacidade de adaptação está cada vez maior, como se fosse a confirmação das palavras de Martin Luther King se confirmando, estou acostumando a ser sozinha.   Claro, existem os cortes, mas até com eles a gente se acostuma e chegará o momento em que serão apenas cicatrizes que a gente só lembra quando toca.  
   Não posso dizer que seja simples, fácil, não é, mas ao longo dos anos tenho sido treinada para ficar só e até que não é ruim.   Sei que estou permitindo que se forme uma geleira em meu coração, mas virá o tempo de quebrá-la.   O tempo virá, e vai me encontrar refeita.   Pode crer!
   Como tudo muda!   Lá fora já tenho os raios de sol e voce continua testando os meus limites. (risos)   Os limites são exatamente o fim das coisas, é quando não se suporta mais e as defesas começam a funcionar.   O tempo...   Já não tenho pressa de nada, estou descobrindo do que sou capaz.   Sem chuva não existem flores para serem colhidas e tu te esqueces do tempo de regar, contudo o deserto tem outras belezas que não são para serem divididas e a areia acumulada em meu coração esconde os seus segredos, suas surpresas e belezas.
   Quero compor a minha história com mais cores, e como diz a canção: “Cada ser em si carrega o dom de ser capaz; de ser feliz”.   Sim, tens razão, sou uma sonhadora, mas os sonhos nos dão conhecimento de coisas que pessoas áridas que não sabem sonhar jamais conhecerão, porque sequer cogitam que exista.   São pessoas que não sabem o valor de ver o show de um grande cantor, que preferem comprar a coleção completa e ficar ouvindo com um copo de wisky nas mãos enquanto queimam os pulmões com muitos cigarros, cercados de nenhuma magia.    Não se pode ensinar alguém a sonhar...   Eu sonho!   A realidade é para todos, os sonhos são uma dádiva para privilegiados.

D. 
trugillo.

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