“A cada dia que vivo; mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.”

(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 19 de março de 2011

Amnésia: plástica da alma.

   Penso nas coisas que fizemos juntos, me sinto tão idiota que dói.   Como pude desejar todas aquelas coisas?   Não sei, mas estou me sentindo tão pequena de lembrar de tudo aquilo.   Penso e não sei como pude.   Como fui tola!   Só usada, pensando que tinha alguma coisa a mais.   Fico pensando em como pude ver encanto em tudo aquilo, como fiquei envolvida e desejei cada coisa?   Sinto-me péssima, promíscua.   A que voce procurava apenas quando queria safadeza e ponto.   Como consegui acreditar que havia amor?   Que tinha alguma importância?  
   Cada lembrança que tenho agora me faz sentir vexada, como acreditei que tinha beleza eu não sei, mas agora tudo me parece tão negro, que amarga meu coração.   Queria dormir e esquecer, nunca mais lembrar de nada, tirar essa marca que me queima inteira.   Não sei como será olhar para voce agora, não sei como vai ser ouvir tua voz ou sentir teu cheiro, só sei que as lembranças estão me roendo como ácido, não sei se conseguirei ficar perto de você outra vez sem me sentir mal.  
   Queria dormir esta noite e amanhã, acordar sem nenhuma lembrança de tudo o que fizemos, mas sei que essas lembranças vão me atormentar pelo resto da vida.   Será como uma grande cicatriz no rosto, o tipo de coisa impossível de ser ignorada.   Só mesmo uma amnésia funcionaria como uma cirurgia plástica da alma.

D. Trugillo.

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