“A cada dia que vivo; mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.”

(Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Como uma pétala...

    Durante muito tempo eu esperei que chegasse este momento e agora...   Agora não é como eu pensei que seria, não sinto o que pensei que sentiria, acho que uma parte de mim secou...   Não sei se pode ser regada e rebrotar, sei que é como se metade do coração ainda fosse gelo e eu me perco de voce.    A lua cheia que minguava e voce nem viu...   
    Não, não.   Não espero que as coisas sejam como foram, eu seria hipócrita de não ver que mudei.   Nada acontece sem deixar suas marcas e as marcas estão aqui.    Seja lá o que for, será outra coisa.   Eu não sei como é voltar para alguém porque nunca aconteceu na minha vida, é preciso acertar a direção dos pés, porque os tempos não voltam.
    Acho que eu abrilhantei demais, acreditei demais, me apaixonei demais, mas uma hora eu ouvi um sopro que dizia: “Pare... Já está ficando feio para voce...” Eu me senti muito ridícula, alguma coisa se rompeu, partiu, ou pelo menos trincou, eu não sei ainda dizer, espero descobrir amanhã...
    Não vou dizer que não sinto nada, lógico que sinto, não tenho esta aleivosia, eu sinto e sinto muito, mas agora não sei o que é...   Todas as dúvidas que ainda preciso esclarecer para eu mesma, mas...   Será que preciso mesmo?   É uma expectativa sem ansiedade, um olhar para adiante sem planos, sem acreditar no “até o final”, como quando a gente descobre que papai Noel não existe, mas mesmo nesse momento o Natal continua sendo bonito, só que sem encantamento.
    Não espero mais as lembranças, nem as flores, nem as palavras românticas, nem as ligações no domingo pela manhã, ainda que furtiva, não espero atenção mais que o mínimo para não quebrar o contato, não espero a mesma sintonia, simplesmente...   Não espero.
    O amor é frágil como uma pétala, suave como uma pétala, tem o perfume de uma pétala, a cor de uma pétala, o brilho cintilante de uma pétala, mas uma pétala também pode cair...   Secar...   Não se renovar e não renascer...  Ou sim, pode, não sei...   Quero descobrir.

D. Trugillo.

domingo, 28 de agosto de 2011

Saudade...



   O dia amanhecia com suas nuances de nuvens róseas, brancas e acinzentadas, o mar espalhava seu cheiro afrodisíaco pela cidade e eu em um vestido rosa me revestia da minha meninice, a vida desabrochava em flor, orvalhada e feliz na inocência do que estaria ou não por vir e veio tudo, o encantamento, a paixão, a dor, a felicidade, o amor e a saudade.   Contudo, nada se fez de mim tão companheira quanto a saudade, dela conheço todas as formas, na saudade que se desespera e da saudade plácida e resignada, da saudade feliz na certeza de ser saciada em breve e da saudade angustiada que estrangula a lágrima da incerteza.   Saudade e solidão não são a mesma coisa, embora sejam irmãs, mas saudade é diferente, é um sentimento acompanhado da presença intocável de alguém, da parte de alguém que trazemos conosco e onde quer que se vá, a pessoa vai com a gente, dentro da gente, não adianta lutar contra, ela reaparece em detalhes muito próprios, a solidão é um sentimento solitário, de abandono de sí mesmo, que ainda que estejamos em uma multidão, nos sentimos sós.   Saudade é uma forma de apresentação do amor, que mesmo que se nos vire as costas e se vá, ainda assim deixa uma parte de sí para que carreguemos e leva consigo um pedaço de nós.   Às vezes a saudade vem junto com uma dolorida sensação de solidão e de mágoa, mas a saudade é maior e perdoa todas as dores porque só se sente saudade de quem se ama.   Quando a partida vem pelas mãos frias da morte, a saudade é a única forma de reencontro com quem se ama.   

   Não sei, não me pergunte por que falo disso agora, quase duas horas da madrugada...   Acho que é só saudade mesmo, é quando te encontro te revivo e quase posso te sentir, mas acho que nos perdemos de nós na vida...   Não sei, só sei que te encontro em mim agora como sempre nos momentos presenteados por este sentimento chamado saudade, ou amor que se encontra pela lembrança guardada com carinho.
   Para sempre vou te amar.

D. Trugillo.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ebulição hormonal e emocional....



   O corpo se transforma, os hormônios totalmente fora de ordem na mulher que está no alto de sua maturidade, ela se assusta, se perde em suas emoções, tem medo do que acontece, de como acontece, seu amor não a entende...   Afinal, nem ela mesma consegue se entender.   Seu ciclo atrasa, adianta, vem em volumes incomuns e ela sente medo de perder a libido, nem percebe que a libido está nela, que está ativa, mais que nunca.
   Seu homem não consegue entender tanto destempero, tanta ansiedade, tantas dúvidas infundadas.   Natural, homens não têm como entender o que a natureza não lhes permitiu sentir.   Ele a deixa só...
   Sozinha ela pensa que vai sucumbir, mas é mais forte do que se sabia e o encontro com Ele a fortalecerá, Seu colo a confortou, lhe deu refrigério e o Pai continua nela, mesmo que todos tenham partido, Ele fica com ela, mesmo que não possam compreendê-la e nem ela, Ele a compreende, cobre e cuida.
   Um dia ela rebrotará com novo vigor, e seus hormônios voltarão a se inflamar com o mesmo compasso de sempre...

D. Trugillo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O encontro!



   Depois de tanto tempo, de passar os anos, o reencontro de hoje foi como um presente que tive.   Encontramo-nos e me ouvistes, me destes conforto, me mostrastes a paz e eu pude sorrir...   Não sei o que me espera, mas estarei aguardando o porvir, sem pressa, sem afobamento...


   Havia um espaço, uma espera, um querer nascido da necessidade de acolhida e carinho, de afeto desprendido e sincero; havia, havia...

   Então houve ‘o encontro’, o acalanto, a presença de amor, de verdade, da saudade e me deixei abraçar, afagar e guiar.

   Sede: saciada; dor: refrigerada; falta: suprida; queixas: ouvidas; coração: tocado com amor imenso.

  Enfim Te encontrei.


D. Trugillo.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Caminhar sozinha... Jardim em flores...



  Caminhar sozinha...   Tenho sentido muito isto ultimamente, que estou só.   Ao alcance do dispor; e sozinha quando preciso.    Não quero isto!   Cansada disso!   Sei perfeitamente o quanto me dei, quanto quis e contribuí para que houvesse harmonia; e que tudo quanto faltou não é débito meu.   Dei toda atenção, toda paixão e amor, todo corpo e todo querer, toda verdade que alguém é capaz de dar; não devo nada.  E para ser bem verdadeira mais uma vez, estou farta de me doar.   Quero trocar, seja como for, com quem souber, quem puder.   Devagarzinho fui sendo excluída de tudo, então...  
    Encante-me, Conquiste-me, Subjugue-me se ainda puder...   Se ainda quiser...  
    A vida passa num breve instante em que nem cabe um sonho inteiro e eu ainda quero sonhar...   Viver a meninice que ainda mora no meu coração, lamber o dulçor das manhãs sorridentes.   Quero conseguir prestar atenção ao som das aves canoras, abraçar enquanto me sentir amada e desejada...   Estou farta das farpas, só quero os carinhos e já não sei se ainda me importa de onde virá...
   Acho que afinal descobri que apenas pareço ser uma pétala, mas sou pétalas em flor, viva, fecunda, orvalhada e luzente em gotículas que posso beber e servir.
  Cansada de tanta secura, quero provar as gotículas...   Quero as trocas de palavras românticas, de mensagens apaixonadas...   Que me importa se é démodé?    Não, nada me importa, se me fizer sorrir e fizer sorrir, se me fizer amar e fizer amar, se me der prazer e se  der prazer...   Que importa?
   Vá com a aspereza, a falta de tempo, de afeto, de atenção, de amor de dedicação, porque nada disso cabe mais.

   Na verdade, parece ter um jardim inteiro para quem só queria uma pétala...   Terá sido demais?


D. Trugillo.


domingo, 31 de julho de 2011

Alegrias ou mágoas {datas...}

    Às vezes as coisas acontecem, deveriam ser consideradas fatos sem nenhuma importância, mas não consigo, algumas delas povoam minha cabeça por meses, as vezes anos, posso passar por cima, mas não consigo ignorá-las.  Isto acontece com datas que considero importantes, porque meu pai dava tamanha importância a elas, diferente da maioria dos homens, meu pai jamais deixava de lembrar, comemorar e presentear pessoas que amava em datas como Aniversário, Natal, Ano Novo, Páscoa, Aniversário de casamento, dia dos Namorados, enfim...   Não sou diferente dele e se pareço esquecer, não foi o caso, não esqueço nunca e a pessoa deveria olhar para trás, pois se fizesse veria que não se lembrou de me enviar sequer um e-mail no meu aniversário, Natal, Ano Novo, Páscoa... 
  Então no dia dos namorados e aniversário, fiz apenas uma mensagem fria, de propósito a frieza, pois quando muito, o que tenho recebido são respostas as minhas mensagens, nada pensado com carinho, com desejo de mandar.   São apenas detalhes pequenos?   São, claro que sim, são, mas somados são também a demonstração do grau de importância que nos é dada. 
  As datas passaram, mas deixaram suas marcas, é uma bobagem eu estar falando disso agora, mas estou trazendo isto comigo desde o dia 04 de dezembro e resolvi colocar para fora, poderia dizer que sem mágoas, mas também não seria verdade, só não estranhe se eu “””esquecer””” todas as próximas datas, certamente não será por falta de amor, que isto tenho demais.

    Que não seja tomado por revolta, não é, foi apenas um desabafo para dissipar a mágoa.

D. Trugillo.

domingo, 12 de junho de 2011

Outro tempo começou...

   Quero sair pela manhã sentindo o vento me abraçar, sentir a chuva regar o deserto do meu coração, atravessar minha alma magra de propósitos.    Quero as tempestades temerosas, os rios que me levarão para longe...   O feitiço acabou, a escuridão se dissipa.   Não é assim tão complicado de entender.   Se eu disser que já não sinto nada, nem mesmo eu vou acreditar, mas no vão que ficou irrompe a luz e quanto mais eu vejo a meu redor, mais distante ficamos.
   Não me sinto mais fazendo parte de ti e nem notas, claro, todas as marcas ficarão aqui, mas as amarras se soltam, começam a cair e vou perdendo o cheiro de mar, soltando as crácas, quebrando o encanto.  
   Se causo alguma dor, não é o meu querer, mas receba o que seja seu e que eu seja eu.   Bebo a vida como ela se apresenta, foi o que aprendi,   Não quero entender, não quero nada, nada me interessa, te entrego a espera infinita, já não a recebo mais, pode ser que agora repares eu deixando de esperar, já esperei demais,   Saio com a alma completamente nua, outro tempo começou.   Tenho muito para arrumar dentro de mim, mas não tenho pressa, outro tempo começou...  
    Tenho medo sim, mas também tenho coragem, te disse, mas não me ouvistes, falei do meu cansaço, dei tanto aceitar que não sentistes o espaço esvaziando, falei, falei...   Fingistes ouvir, pensastes que eu nunca voltaria para mim...   Agora solta minha mão, me deixa aqui, soltaram-se as amarras...  Abristes portas sem sentir e agora outro tempo começou...

D. Trugillo.

domingo, 8 de maio de 2011

Mãe...

Mãe

   Saudade eterna, dor que não se finda...   Tua imagem eternizada em minhas lembranças, teus carinhos sempre vivos no meu coração.   Cada acerto na vida são reflexos de teus ensinamentos, cada dúvida de para onde ir, uma busca na tua direção...
   Minha pele e meus cabelos para sempre sentirão os teus afagos e a minha alma eternamente o teu calor...
   Guarde-me contigo, mãe...

D. Trugillo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Ansiedade, amor e sexo.


   Voce...   Senhor da minha vida!   Faz-me ter febre quando penso que está chegando a hora de te pertencer, todas às vezes a mesma chama, o mesmo fogo subindo pelas coxas, a vontade.

   Fecho os olhos e te sinto, teu cheiro, tua imagem, a textura da pele no meu corpo.   Quero...    Anseio pela língua que me invade e desliza pelo meu sexo.   Teu beijo...   Sinto meu gosto no teu beijo.
   Teu domínio...   Me fazes em pedaços e me sinto inteira, minha pele queima sob tua vontade, rubra, vibra por ti.   Quanto mais me submetes, mais altivo é meu amor.
   Teu corpo...   Quente, pesando sobre o meu, intenso e vibrante em movimentos dançantes, me cobre de teus líquidos.   Molhada...    De teu suor, tua saliva, teu sêmen.
   Olhares...   Nossos olhos se encontram, felizes, podemos vislumbrar o regozijo que habita o coração do outro.
   Sentimentos...   Cansaço, prazer, felicidade.   Apenas Amor.


D. Trugillo.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Novamente apaixonada por voce!

  Amor!   Como é bom poder falar de novo esta palavra lembrando de voce e estando feliz!   Saber que tudo o que imaginava era apenas fruto da minha ansiedade e um pouco das circunstancias da vida a qual todos estamos sujeitos e não da falta de amor, que no fundo é o que mais importa.   Agora quero sorver cada instante dessa felicidade que novamente inunda meu coração, eu precisei muito dela e finalmente voltou a normalidade, foram semanas doídas, a falta de informação consistente, mas o que importam é que temos uma história de de 45 meses, não posso havaliar todo este tempo de carinho e amor por 4 semanas em que voce esteve com problemas e não pode me dar o que sempre deu.     Bom sentir o coração bater feliz, sentir o corpo vibrar com o som da tua voz, desejar sentir teu cheiro, a textura da pele outra vez.    Maravilhoso amar voce!

D. Trugillo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Descontrução

   Um encontro muito aguardado, adiando, adiado...  Era para conversar, mas...   Qual o que?   Tudo o que se fez, foi um começo da descontrução de um trabalho cauteloso, carinhoso e muito, muito demorado.   Construir uma submissa forte, consciente, determinada em uma mulher inteligente, mas que desconhece tudo, é um trabalho árduo.   
   De repente atos e falta de conversação começam a desmontar o que nela foi plantado; não dá pra exigir e exigir, é preciso fazer uma troca, eu te dou o que voce quer de mim, se voce me der o que quero de voce.   Foi voce quem sempre me disse, que não há nada na vida que não seja uma troca, seja do que for, é uma troca de interesses, mesmo que o interesse seja o de ver o outro feliz, realizado.
    Uma relação construída em cima de muito diálogo, de repente ficou muda, nula de troca de impressões e logo ambos estarão se desconhecendo, mas como sempre fui surpreendida, espero que isto aconteça enquanto existe aqui algo que ainda não se fragmentou...   Amor.

D. Trugillo.

sábado, 26 de março de 2011

Migalhas


Migalhas 

(Erasmo Carlos)


Sinto muito
Mas não vou medir palavras
Não se assuste
Com as verdades que eu disser

Quem não percebeu
A dor do meu silêncio
Não conhece
O coração de uma mulher

Eu não quero mais ser
Da sua vida
Nem um pouco do muito
De um prazer ao seu dispor

Quero ser feliz
Não quero migalhas
Do seu amor
Do seu amor...

Quem começa
Um caminho pelo fim
Perde a glória
Do aplauso na chegada

Como pode
Alguém querer cuidar de mim
Se de afeto
Esse alguém não entende nada

Não foi esse o mundo
Que voce me prometeu
Que mundo tão sem graça
Mais confuso do que o meu

Não adianta nem tentar
Maquiar antigas falhas
Se todo o amor
Que voce tem pra me oferecer
São migalhas, migalhas...



sábado, 19 de março de 2011

Amnésia: plástica da alma.

   Penso nas coisas que fizemos juntos, me sinto tão idiota que dói.   Como pude desejar todas aquelas coisas?   Não sei, mas estou me sentindo tão pequena de lembrar de tudo aquilo.   Penso e não sei como pude.   Como fui tola!   Só usada, pensando que tinha alguma coisa a mais.   Fico pensando em como pude ver encanto em tudo aquilo, como fiquei envolvida e desejei cada coisa?   Sinto-me péssima, promíscua.   A que voce procurava apenas quando queria safadeza e ponto.   Como consegui acreditar que havia amor?   Que tinha alguma importância?  
   Cada lembrança que tenho agora me faz sentir vexada, como acreditei que tinha beleza eu não sei, mas agora tudo me parece tão negro, que amarga meu coração.   Queria dormir e esquecer, nunca mais lembrar de nada, tirar essa marca que me queima inteira.   Não sei como será olhar para voce agora, não sei como vai ser ouvir tua voz ou sentir teu cheiro, só sei que as lembranças estão me roendo como ácido, não sei se conseguirei ficar perto de você outra vez sem me sentir mal.  
   Queria dormir esta noite e amanhã, acordar sem nenhuma lembrança de tudo o que fizemos, mas sei que essas lembranças vão me atormentar pelo resto da vida.   Será como uma grande cicatriz no rosto, o tipo de coisa impossível de ser ignorada.   Só mesmo uma amnésia funcionaria como uma cirurgia plástica da alma.

D. Trugillo.

Nem todos sabem sonhar...

   A segunda manhã tem uma serenidade que não consigo compreender, lá fora tenho a luz, mas os raios não se fazem presente, o sol parece em dúvida se quer ou não se erguer em sua plenitude, a vida está mansa como uma felina que dorme.   As vozes de Elis, Adoniran e outros ecoam em meus ouvidos e meu coração bate confuso, mas plácido, torpe até.   A casa está vazia de outras pessoas, mas não me sinto só, dentro de mim tenho muitas mulheres, sou eu, me fazem complexa sem deixar de ser simples.
   A capacidade de adaptação está cada vez maior, como se fosse a confirmação das palavras de Martin Luther King se confirmando, estou acostumando a ser sozinha.   Claro, existem os cortes, mas até com eles a gente se acostuma e chegará o momento em que serão apenas cicatrizes que a gente só lembra quando toca.  
   Não posso dizer que seja simples, fácil, não é, mas ao longo dos anos tenho sido treinada para ficar só e até que não é ruim.   Sei que estou permitindo que se forme uma geleira em meu coração, mas virá o tempo de quebrá-la.   O tempo virá, e vai me encontrar refeita.   Pode crer!
   Como tudo muda!   Lá fora já tenho os raios de sol e voce continua testando os meus limites. (risos)   Os limites são exatamente o fim das coisas, é quando não se suporta mais e as defesas começam a funcionar.   O tempo...   Já não tenho pressa de nada, estou descobrindo do que sou capaz.   Sem chuva não existem flores para serem colhidas e tu te esqueces do tempo de regar, contudo o deserto tem outras belezas que não são para serem divididas e a areia acumulada em meu coração esconde os seus segredos, suas surpresas e belezas.
   Quero compor a minha história com mais cores, e como diz a canção: “Cada ser em si carrega o dom de ser capaz; de ser feliz”.   Sim, tens razão, sou uma sonhadora, mas os sonhos nos dão conhecimento de coisas que pessoas áridas que não sabem sonhar jamais conhecerão, porque sequer cogitam que exista.   São pessoas que não sabem o valor de ver o show de um grande cantor, que preferem comprar a coleção completa e ficar ouvindo com um copo de wisky nas mãos enquanto queimam os pulmões com muitos cigarros, cercados de nenhuma magia.    Não se pode ensinar alguém a sonhar...   Eu sonho!   A realidade é para todos, os sonhos são uma dádiva para privilegiados.

D. 
trugillo.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Amanhecer

   A vida amanhece, os pássaros cantam lá fora, o cheiro de verde penetra o quarto, depois de uma noite conturbada, ergo meu corpo ainda cansado, apesar de o sol já revelar seus primeiros raios, caminho para o banho e sinto a água morda tocar meus ombros, meus cabelos, fecho os olhos e me sinto inteira por dentro.  
   É como o despertar de um sonho ruim, o coração ainda dói, mas minha alma tem um fogo que arde e anseia por derreter a geleira da solidão.   Nunca tive medo de viver para não sofrer, ao contrário, prefiro pagar com dor a não saber o gosto da vida.   Quero dela cada sabor, todo calor, todo prazer e toda dor que ela tiver para me dar.
   Voce me convidou para me perder de viver em ti, te trago em mim, mas sei que deixei em ti as minhas marcas, meus sabores, meu calor, deixei em ti muito de mim, não sou só eu que trago as tuas marcas, sei o peso que tem o selo que gravei na tua alma, levarás contigo e eu te levarei comigo.   Mas mesmo ficando as marcas, o amor é como um quadro antigo, que precisa de retoques, de reparos para não descorar.    Sei que as falhas nas laterais da tela são o que caracterizam sua autenticidade, mas o quadro em si precisa de manutenção, de ser preservado, de ser guardado com zelo para o deleite de seu dono.     O proprietário que não cuida do que tem, logo não terá mais uma obra de arte.
   Enquanto meus pensamentos viajam nessas idéias, meu banho termina, as tarefas cotidianas me esperam e logo dou cabo delas, enquanto penso na notícia que tive a noite, ela me enche o coração de esperança, será uma nova perspectiva?   Não sei, mas neste momento da vida seria realmente bom esquecer que tenho coração, me ocupar de algo inusitado...   Se tiver que ser, que venha, estarei esperando; e que o coração adormeça num sono profundo, para despertar muito mais tarde, refeito.
   Não vou seguir meus impulsos, não sou caçadora para ir atrás de ninguém, sou a fêmea, a caça, a presa e se quiser me manter, que cuide.
   Depois de perder as penas e ficar tanto tempo no ninho, talvez seja hora de a águia alçar vôo para longe.   Talvez.   Sei que ela está presa ao ninho, que esteve feliz nele, construído de pêlos de urso, no alto do despenhadeiro de onde se avista o mar.   Ela pensa...   Seu desejo ainda é mergulhar no mar, sentir o mar, ser envolvida pelo mar...   Ela o olha e ele ainda a encanta.

D. Trugillo.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Conflito

   A s vezes a bandida da vida nos prega peças, é o que ela está fazendo agora comigo.   É como se houvessem dois anjos, o anjo bom e o anjo mau e ambos tivessem um papel a desempenhar, o anjo bom dormiu e o anjo mau está mais desperto do que nunca.   Até que nem é uma comparação tão justa assim, afinal o anjo bom não é tão bom assim e o anjo mau não é realmente mau.   São as trapaças da vida, mas como criatura rebelde que sempre fui, é bem capaz que o meu coração travesso encontre um terceiro caminho e o meu cérebro o dome e o conduza por um quarto, onde a sensatez seja maior, onde não haverão as cores, mas certamente terei o branco da paz.  
   Paz, estou necessitada dela, de um pouco de trégua, afinal, além de dos anjos, do coração e da razão, existem outros fatores, as garras negras da morte que deixou muitas e profundas marcas que levarei para sempre e as dificuldades que estão mais acentuadas a cada dia para o bem viver.   Parece piada, mas tudo resolve acontecer no mesmo momento, quando se deixou tudo para ser resolvido mais  tarde por falta de opção melhor e o mais tarde não quer mostrar a solução, mas eu renascerei tantas vezes quantas forem necessárias,   
   O gosto que sinto é amargo, mas depois da meia noite a tendência é clarear e certamente sentirei outros sabores.

D. Trugillo.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Quero adormecer

   
Nunca mais reencontrei a paz, a placidez que me deixava quieta, apascentada.   Também não sei se desejo ela de volta, o rio só corre numa direção e as águas plácidas do meu rio ficaram para trás.   Verdade, gosto das águas revoltas, mas elas me deixam exausta, estou cansada e pensando em sair deste turbilhão, quero ao menos um pouquinho do refrigério da paz.   Quero sorrir tranquila, me sentir protegida, olhar as nervuras das pétalas orvalhadas, sentir sua delicadeza aveludada em minha pele, quero as cores suaves de rosa, de branco, de chá.  
   Chá!   Palavra que por sí só acalma, me lembra o dulçor das ervas frescas caídas no vapor das águas quentes.   Penso nos chás que tenho prazer em tomar e lembro dos sabores orientais da minha infância rodeada de exotismo de diversas partes do mundo...   E viva o Brasil, com sua diversidade de culturas!!!
   Vou para meu chalé de fábula e sinto o cheiro das especiarias, vejo o tom nacarado do tecido esvoaçante da cortina da janela, o cheiro de madeira invade a minha alma, as almofadas com seus quatro pendões, um em cada canto, suas cores vibrantes se espalham sobre o tapete de sisal crú que repousa displicente sobre o assoalho escuro, outras almofadas repousam tranquilas sobre o divã que fica de frente para a lareira onde o fogo bamboleira como se quisesse dançar ao ritmo de uma música árabe que se ouve ao fundo.   No aparador, uma gamela com algumas frutas parecem me convidar a mordê-las.   Me sinto cansada e as ignoro, preciso de um banho quente no ofurô.    Ligo a água quente para enchê-lo e enquanto ela cai fico olhando suas gotas que salpicam na madeira da banheira ovalada, deixo cair na água um liquido de cor delicada que exala um cheiro suave de mirra.   Observo o roupão muito branco, que me aguarda tranqüilo sobre o gancho da parede de madeira.   Suspendo os cabelos negros e prendo-os num palito chinês de madeira avermelhada, desabotôo o vestido rosa e deixo que ele caia no chão, faço o mesmo com as outras peças e entro na água que me envolve como um abraço de um amante ávido e delicado, como muitas línguas que me invadem sem pudor, me recosto e relaxo.   Meus pensamentos viajam, querem encontrá-lo e eu quero fugir de ti, a tensão dos meus músculos cedem e dão lugar a uma moleza sonolenta, depois de longos minutos, me ergo relutante e me abrigo no roupão que tão paciente me esperou, apanho uma toalha igualmente branca e seco o resto do corpo, apanho as roupas que ficaram no chão e deixo-as num cesto de vime, saio em direção ao quarto, nele me espera uma cama alta e ampla, de lençóis brancos de cambraia cheirando a lavanda, os travesseiros brancos, adornado de bordado branco e rosa em minúsculas flores  que emolduram o monograma, parecem sorrir para mim, o róseo nacarado da cortina igual a da sala, deixa passar os raios cintilantes da lua que ilumina delicadamente todo o quarto, me livro do roupão e do palito chinês, me aninho na cama abraçando os travesseiros e fecho os olhos, sinto o cheiro da madeira de todo ambiente, o cheiro de canela se misturando, meus pensamentos vão ficando distantes, mas ainda trazem a tua imagem, perco o sentido do ambiente, do meu corpo, de mim...   Adormeço.


D. Trugillo.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Desejo de colo...




Sinto uma vontade imensa de chorar, sinto-me péssima, muita dor de cabeça, uma sensação de impotência horrível.   Hoje precisei de um amigo, mas que ironia...   Não apareceu,
   Imagino que sejam ocasiões assim que nos levem a fazer coisas que não tínhamos a intenção de fazer, parece que tudo nos conduz naquela direção, mas feliz ou infelizmente hoje faltou a oportunidade.
   Não sei o que está acontecendo comigo, é uma sensação de insatisfação que está me devorando, queimando meus olhos, que fica estrangulada na garganta, um aperto que fica no coração que parece físico, talvez até seja, talvez ele se contraia e se aperte, só sei que dói de verdade.
    Então, só me resta pedir a Papai do Céu que me pegue no colo, me afague e limpe este sentimento do meu peito.   Que Ele me faça voltar a sorrir como sempre fiz.


D. Trugillo.

Himalaya

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