“A cada dia que vivo; mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.”

(Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 29 de março de 2017

Pulsar. ..

   Quando eu percebo você escapando de mim nos números do mostrador me sinto muito impotente, para mim não é chegada a hora de sair de cena...   Mas você insiste constante a cada emoção.
   Quero te segurar pela crina, te abraçar, te sentir.   A noite quero te abraçar e sentir teu calor, a cor vibrante do vermelho vida.
  Você percebe minha garganta, meus ouvidos, você pulsa querendo fugir e eu te seguro com minúsculos pontos brancos saídos de compartimentos paralelos envolvidos no escuro do grosso papel dobrado. 
  Você não pode querer que eu viva sem sentir, eu sou o que penso e penso meu sentir.
   Bate mais manso para muito bater, sai da minha cabeça e se aquieta no meu peito sem querer crescer demais.  Ama mais mansamente, preciso da tua mansidão para ser doce e arder de paixão sem medo que você me escape pela boca. 
  Não sei como sentir sem fazer subir os números, não sei como viver sem sentir, não sei ser serena, não sei conter a ansiedade, simplesmente não sei, preciso que os números fiquem estáveis para não ter que viver uma vida sem sal, sem cor, sem calor, posto que se for assim, vida sem vida, eu aí prefiro que as cortinas se fechem depois do último ato; só peço o tempo de dizer que amo a quem amo.

Eu amo você, menino!

Por Trugillo.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Teias de Plínio

Os dias vão e vem mais rápido que eu possa sentir. Os minutos escorrem apressados se você está, se arrastam enquanto espero você chegar...
Os dias passam e já não tento mais entender, nem fugir. Estou presa em tuas teias de amor. Estou presa sim, não por paredes e portas. Meu cativeiro são teus beijos, teus toques, tua pele, tua presença, teus olhos que moram dentro de mim a vasculhar cada cantinho de quem sou.

Você vem e quando vai deixa tuas mãos tatuadas no meu coração,  teu cheiro em minhas entranhas, teu sabor em minha boca, tua imagem em minhas retinas. 

Te conheci 'amanhã'; te conheço a tantos séculos... Me sinto tão tua, tão protegida, tão amada, tão aninhada em você que é como se eu estivesse nascido em teu regaço.
A cada dia que vem os teus desejos se fazem mais meus, como se eu sempre os tivesse desejado. Teus sonhos se desenham no meu sono, me visto das tuas fantasias em um desejo crescente de romper meus tabus para receber o teu sorriso de prazer.

O som da tua voz invade meus ouvidos como notas orquestradas, musicando a minha vida. Em cifras coloridas vai pintando histórias a serem vividas em um cores tão exuberantes que me cegam os olhos para o mundo sem você; você repercute em meu mundo em sons e imagens.
Com fogo que arde sem doer, você pirografou em meu ser as palavras esperança,  desejo, paixão e amor.

sábado, 2 de abril de 2016

Mensagens engarrafadas






Fico aqui vendo os "barquinhos" passarem...  Então veio a lembrança do barco que passava todos os dias e não apenas no horário do comércio...
Vejo que tudo é gradual, de acordo com a importância que se dá as coisas. Quem mais tem fome, mais tempo de pescar tem.




O pescador que perdeu a fome pensa que o peixe também perdeu.
Os barquinhos vão e vem, a maioria com pescadores comuns...  A maioria sim, não é todos os dias que a pesca é boa, é bem verdade, mas as vezes a lua prateia, ganha novo brilho. 




A lua brilha a noite, brilha todos os dias, mesmo oculta entre nuvens. Infeliz é o pescador que se esquece dela, porque nem todos os pescadores são comuns, negligentes e desatentos.





As vezes passa um barco diferente, as vezes o pescador mergulha todos os dias, ou noites, no brilho cintilante da lua que prateia as águas salgadas. Podem as nuvens se desfazerem, pode vir um tempo bom, de brisa serena, suave.


As tempestades arrebentam alguns barcos, eu sei.  Eles precisam de manutenção,  mas um pescador comum ou desatento as vezes não nota, deixa o barco muitos dias ancorado sozinho, sem pebsar que ele pode afundar, que a corda está se punido e ele pode ir a deriva.






Depois de tantas mensagens engarrafadas... Muitos MayDay, MayDay, MayDay...




domingo, 8 de março de 2015

A mulher e a flor


A mulher e a flor

  Quisera pudesse o homem entender no todo a delicadeza da mulher, sobretudo o seu homem, aquele que de fato importa.  Na sua força e resistência se oculta anseios, esperanças sutis de gestos ainda mais sutis.  Os homens parecem ter perdido a sensibilidade,  mas aquele que ela escolheu para chama de seu... Ela se nega a acreditar e ainda espera.

  Mas é claro, estou falando de mulher de verdade, mulher femina, não feminista.  Aquela que aprecia mais uma flor ofertada com paixão do que um buquê de premiação por ter batido todas as metas empresariais.  A mulher tem prazer nas 'dores' doces de ser fêmea que se delicia em servir de prazer para seu homem.  É desta mulher que falo.
  A mulher passa a vida esperando a gentileza das flores pelas mãos 'dele'.  Naturalmente que não sei bem o que o homem espera dela, talvez seja todo conjunto de cuidados, carinhos e amor incondicional que nenhum homem é capaz de dar como dá uma mulher.

  A flor é uma gentileza sempre apreciada que os homens não sabem ofertar, eu  não falo de uma rosa, apenas flor, seja ela qual for, comprada ou apanhada no caminho.  O que importa é o que ela representa naquele ato.


   Uma besteira?  Porque?  Quantas besteiras fazemos e achamos tão importante?  Quanto tempo perdemos com besteiras durante o dia que para nós são importantes?   A importância das coisas e atos podem variar, mas em todo tempo a flor e a mulher andam refletidas uma na outra, mas só sabe disto  homens que gostam de mulher, que apreciam mulher e não apenas cópula com mulher.

D. Trugillo

terça-feira, 3 de março de 2015

Mulher é ostra e pérola


“Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas.”

Pérolas são produtos da dor; resultados da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou grão de areia.
Na parte interna da concha é encontrada uma substância lustrosa chamada nácar. Quando um grão de areia a penetra, as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas, para proteger o corpo indefeso da ostra.
Como resultado, uma linda pérola vai se formando.
Uma ostra que não foi ferida, de modo algum produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada…
O mesmo pode acontecer conosco. Você já se sentiu ferido pelas palavras rudes de alguém? Já foi acusado de ter dito coisas que não disse? Suas ideias já foram rejeitadas ou mal interpretadas? Você já sofreu o duro golpe do preconceito? Já recebeu o troco da indiferença?
Então, produza uma pérola!
Cubra suas mágoas com várias camadas de amor.
Infelizmente, são poucas as pessoas que se interessam por esse tipo de movimento.
A maioria aprende apenas a cultivar ressentimentos, mágoas, deixando as feridas abertas e alimentando-as com vários tipos de sentimentos pequenos e, portanto, não permitindo que cicatrizem.
Assim, na prática, o que vemos são muitas “ostras vazias”, não porque não tenham sido feridas, mas porque não souberam perdoar, compreender e transformar a dor em amor.
Um sorriso, um olhar, um gesto, na maioria das vezes, vale mais do que mil palavras.



A pérola, única gema de origem animal, é o resultado da proteção da ostra contra invasores externos. A ostra lança uma substância no invasor composta de 90% de aragonita (CaCO3), um material calcário, 6% de conqueolina (principal componente da parte externa da concha) 34% de água. O material é depositado sobre o invasor e cristaliza-se rapidamente.

Normalmente cada ostra produz apenas 1 pérola, que leva cerca de 3 anos para ficar madura e que nem sempre é perfeitamente esférica (numa proporção de 1 a cada 10.000 animais, por isso é tão valiosa). Mas japoneses inventaram uma maneira de cultivar pérolas.




Também conhecidas como  "Komatsu Flower Pear" ou "Faceted Pearl", são resultados de uma técnica de lapidação com mais de 20 anos no mercado da Komatsu Cutting Factory, localizada na cidade de Kofu.
   Quando o sr. Komatsu pensou em lançar um produto genuínamente único, que pudesse ser exportado, ele se deparou com a questão da matéria-prima. Para criar um produto (no caso lapidar uma jóia), em geral a matéria prima (pedra bruta) era importada, fazendo com que a produção dependesse de mercados externo para se abastecer. Além de que estaria em desvantagem em relação a países onde a extração de pedras preciosas era fácil ou que já eram tradicionalmente conhecidos por sua habilidade com jóias.
   Mas ele se lembrou que no mercado existia um produto produzido no Japão e reconhecido no mercado pela sua qualidade: a pérola. Assim surgiu a idéia de lapidar pérolas. Era uma experiência inusitada, ninguém sabia o aconteceria ao lapidar um pérola. Foi um trabalho longo e árduo que levou mais de 10 anos, mas quando finalmente ficou pronto, o resultado foi uma jóia com um brilho diferente do brilho natural da pérola e de uma beleza que nem mesmo o próprio criador previa.
   Devido a essa beleza exuberante, ela foi chamada de Hana Shinju (Pérola Glamourosa ou Pérola Flor ).
   Uma das características do Hanashinju está no corte, que apesar de ser reto, parece arredondado como uma bolha, lembrando a pele de um cobra (snake skin) . O corte torna a pérola semi tranparente, deixando as diversas camadas da pérola e sua beleza interna visíveis. O brilho do Hanashinju é um brilho natural, resultado da lapidação, mas devido a sua intensidade chegam a perguntar se é utilizado algum tipo de cobertura para a pérola brilhar desta maneira. 
   Apesar da qualidade e do glamor da pérola lapidada, ela demorou para ganhar espaço no mercado japonês. Na verdade ganhou a apreciação primeiro no mercado externo, sendo procurado por estilistas e marcas famosas.
   As pérolas tradicionais geralmente são usadas em ocasiões mais sóbrias, mas o Hanashinju, com seu glamor e brilho, se tornam uma ótima opção para acompanhar visuais mais casuais. Há também peças diferenciadas como pingentes e brincos coloridos em forma de bola de futebol.
   Cada pérola é lapidada cuidadosamente, acompanhando sua forma, tornando cada peça única.  

Fontes: http://www.pref.yamanashi.jp/portuguese/report/2012/hanashinju.html
http://www.itapenoticias.com.br/detalhes.php?post=262#.VPYoX5sii2d
http://www.andremansur.com/blog/ostra-e-perola

 De minha parte vejo na história das ostras e pérolas uma outra interpretação, penso que quando toda entrega é finalmente alcançada,  quando conseguimos nos despir dos preconceitos socioreligiosos, quando finalmente mps livramos dos utópicos contos de fada que tentam nos moldar desde a mais tenra idade, quando todas as ranhuras, fissuras e feridas do amor são finalmente entendidas como outra forma, mais intensa, mais quente, mais luxuriosa de amar e se dar, então toda dor é apreciada, é dada como presente, vivida com felicidade, porque ele quer entrar na ostra como posseiro, sabe que vai doer, mas no final o prazer dela será imensurável,  o dele também,  de entrar sem cerimônias, sem reservas, como quem tem a posse da ostra. Por fim ela fornece uma ou várias pérolas, com muitos mais tons que os meros tons de cinzas entre o preto e o branco, com muito mais brilho e vida.
Por D Trugillo

Himalaya

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